como correr da própria sombra
maio 20, 2009
hoje quero não mais do que algumas partes daquilo que sempre quis maldizer o que nunca alcancei
como macaco que desdenha da banana mais alta
foi um modo humano de me resignar
tudo estratagema
ardil
por baixo do jogo de palavras, dos embaralhos,
está o mesmo crânio que precisa se recostar no peito
a mesma boca seca
o mesmo coração de convicções fracas
um azar de mil espelhos quebrados me obriga sempre a forjar a mesma face indolente
para evitar que todos se compadeçam
temeroso que sou da obviedade da minha fraqueza
amei com tanta força meu amor de brasa que sentirei falta até das dores inerentes a ele.
o poema das obrigações
abril 2, 2009eu durmo murmurando
escrever, escrever, escrever
me contorço
retenho
espero o melhor momento
seco gota de fonema na testa molhada
quisera ter verônica para limpar minha fronte
viro pro lado e sílabas tônicas escorregam pelo cobertor
vão ao chão
adormeço depois dos espasmos
amanheço pasmo e endurecido
não estou cumprindo o falso oficio a que eu mesmo me arroguei
escorrem palavras de todos os orifícios
do nariz e do cu
do ouvido e da boceta
rogo divindades em meu socorro
diabo e santa rita de cássia
deus e os apóstolos
hércules
escrever, escrever, escrever
Escrito por dusanju