Eu preciso me segurar

outubro 19, 2008

Para além da sua imagem que fica grudada no meu cérebro, preciso arrumar outras coisas para me segurar enquanto você não estiver perto. Algo mais forte do que uma chuva que impeça uma ida à boate, algo que grite menos que o silêncio do meu celular. Talvez livros que me arremessem a outros mundos ou botas bem pesadas que me segurem abaixo da estratosfera. Um pouco de éter ou amônia. Preciso reencontrar coisas que me façam lembrar quem eu era antes de você chegar. Lembrar de como é boa a ignorância de não conhecer outros espaços. Mexer no meu guarda-roupa para desenterrar fósseis e reminiscências de alguém que eu fui. Algo como um papelzinho azul claro do cartão do banco, para me lembrar de alguém que já ocupou seu lugar por uma noite. Sem sucesso. Ou então uma roupa horrorosa que simbolize uma época em que eu não me preocupava em estar feio ou bonito. Qualquer coisa: isqueiros estragados, o crachá do emprego anterior, contas telefônicas sem o seu número na lista de chamadas feitas, a constituição federal ou um presente de alguém que se mudou pra longe. Pena que ainda não vendem confiança dentro daquelas bombinhas para asmáticos porque seria um objeto que ficaria lindo em cima da mesinha de vidro do meu quarto. Aí seria fácil me livrar da dor de imaginar outras impressões digitais na sua pele. Borrifar vapores de certeza diretamente no pulmão e acreditar que você está pensando desesperadamente em mim. Assim, seria fácil eu dormir com sorrisos naturais. Preciso de qualquer sentimento que se encaixe no intervalo massacrante dos nossos encontros. É só para eu não enlouquecer demais e conseguir esperar o amanhã chegar depressa. Mais depressa que o amor escorre.

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Eu juro que não vai demorar

outubro 17, 2008

Espere mais um pouco até eu desenvolver dedos ágeis e leves o bastante para escrever silabas mais condizentes com a beleza das contradições encerradas no seu corpo. Serão palavras mais melodiosas e livres de censuras de todo tipo. Expressarão sentidos que não podem ser sentidos em público. Darão vida aos pilares e aos motivos que me fazem ser criatura refém de algoz que provoca vontades ferozes.


Gozemos

outubro 15, 2008

Vestibular

outubro 9, 2008

Um que tenha poros e que respire por eles. Que inspire e expire qualquer fonema de poesia.

Um que não conte minutos. Que se perca no vácuo dos ponteiros e não pense em ir embora. Não agora.

Um que chore. Que chore pra depois perceber que toda lágrima pinga gota de fraqueza.

Que chore porque a impressora tá dando pau. Que não se afogue em grandes questões do espírito.


Não é bem assim

outubro 1, 2008

Vou dizer que um adorava a palavra eternidade. O outro, como não era bom as palavras, achava que isso era tempo demais. Não sabia que eternidade pode morar também em minutos. Vou contar tudo sem esquecer de dizer que tudo valeu a pena.