É física, é domingo

novembro 9, 2008

Foi rápido a lei da inércia começar a agir de novo e eu voltar ao meu estado anterior. O pior é que dá uma preguiça danada colocar todos os meus pedacinhos de volta no lugar. Ficou um olho vermelho perto da mesinha do computador, a garganta cheia de nós foi parar em cima do sofá e aquele conhecido amargo no estômago deve estar atrás de algum móvel à espreita. Eu tenho uma nova força agora que me ajuda a catar todas essas coisinhas pela casa, mas preciso de rituais antes. Preciso improvisar uma sobremesa nova, preciso dormir um pouco, ler minhas revistas, ficar alguns minutos em frente ao espelho e arrumar um lugar seguro para suas lembranças.


Entra no msn e em mim

novembro 7, 2008

Para quem já se cansou do amor, eu agora indico o amor platônico. É indolor e não mancha. Não te faz perder nenhum grão de razão porque, na verdade, ele nem sabe o que é razão. Te devolve um certo frescor perdido aos 17 anos.


Nada cabe em lugar nenhum

novembro 5, 2008

Não esqueci nada na sua casa e isso nos livra de nos vermos de novo para repetirmos palavras empoeiradas que não fazem mais sentido. E como sempre tenho a mania de me achar muito especial demais, reforço o pedido de que você não me jogue naquela área do seu cérebro dedicada a guardar arquivos de pessoas sem importância. Me guarde numa daquelas gavetas que a gente não mexe muito, mas que sabemos que lá estão coisas que não podem ser deixadas em qualquer lugar. Tome sempre o cuidado de não deixar ninguém mexer lá porque não estou com vontade de fazer um passeio em mentes de desconhecidos. Ainda não achei um lugar seguro onde eu possa te guardar, mas estou pensando em deixar suas memórias no meio das páginas das minhas revistas preferidas, bem perto das lembranças de sentimentos sentidos na noite da minha colação de grau. Pensei em te deixar escondido, mas isso é bobagem porque sempre estou mexendo nos meus cantinhos escondidos para pegar coisas. Preciso te deixar a salvo da minha mania de sujar as coisas com meus sentimentos de culpa e paranóia. Tenho medo dos sentimentos de alívio… não estou acostumado a eles e sempre acho que são fogo de palha. Tenho medo de não saber te guardar direito e acabar perdendo o que de último ainda tenho seu: suas lembranças.