tenha ciência

abril 2, 2009

eu quero rabiscar o meu nome na sua testa

te soletrar o meu mundo

te fazer ir bem fundo

quero te mostrar de que é feita a minha matéria

entupir suas artérias

te provar que sou de sagitário

que não sou tão diferente

sou feito de ordinária semente

que teimou em germinar

vingou

hoje tem carências profundas de planta mal regada

feito caminho de mesa, quero abrir tudo pra você

me desdobrar alinhadinho

só para te mostrar que não estou representando

não agora

quero desembaçar sua visão

me esfregar todo em suas pálpebras abertas

dar-me a conhecer

te dar outros conceitos

me desmentir

só pra calar minha angustia e minha pena de sua cegueira

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“porque eu sou tímido e teve um negócio de você perguntar o meu signo, quando não havia signo nenhum”

março 5, 2009

ele é daqueles que precisa escrever qualquer coisa, e tudo bem porque gente como nós é assim mesmo. dá medo porque suas maneiras foram tão sonhadas e esperadas. eu já o conhecia antes mesmo de o conhecer porque criava ilusões e reflexos de suas virtudes em corpos menos dignos e mais malhados, em espíritos menos sofisticados, em palavras desvalidas. ele apareceu para mostrar que há mais cores em meu espectro e menos dores em meu calvário. apareceu de repente porque gente como ele acompanha a transitoriedade dos eclipses. sei que ele pode ir embora para ir respirar ares próximos de outros narizes: ele precisa disso. por isso, por segurança, deixo aqui tudo registrado.