eu, a sala, a janela e o quarto

julho 5, 2009

esvazio meus bolsos, mas não me espalho todo pela casa. tudo o que trouxe comigo fica limitado a um pedaço da mesa. no maximo, vão até o criado mudo. conheço cada lugar aqui. ainda sei onde encontro o pó de café, o açucareiro, o uísque e o cinzeiro. na janela enorme, que me deixa ver boa parte da cidade, me pergunto como acabei vindo parar aqui de novo. o velho sofá branco, péssimo para deitar, mas perfeito para sentar e ver a magnitude da sala. tudo intocado como se ninguém vivesse ali. não há marcas de pessoas. sem violetas, sem forrinhos por cima das mesinhas. uma limpeza estéril, um luxo sem calor. enquanto ele dorme no quarto, eu penso no nosso jogo de afastar e aproximar, no passado que tive que ignorar para colocar minha barriga no parapeito da janela. penso que qualquer pedaço de felicidade é melhor do que não ter pedaço nenhum, que um sábado bem vivido compensa uma semana de inquietações. e como eu gostaria de ter a frieza para suportar tantos sentimentos e não me despedaçar de novo. me assusta o vento gélido e cortante que atravessa janela. tenho medo que ele desperte o que há de vivo em mim, que balance minhas certezas já tão falsamente erguidas. o que há de vivo em mim é o que há de morto em você. me alimento do que você não pode me dar. esvazio meus bolsos e meu peito enquanto vou até o quarto me deitar ao lado do corpo e sonhar com o homem.

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dear,

maio 15, 2009
saí pra comprar uma cortina nova
essa que nós temos é muito clara,
não deixa escurecer o quarto direito
e isso faz aparecer poeira em todos os cantos.
vou comprar uma alaranjada bem forte.
peguei mais 30 reais de dentro da sua meia.
tenho que comprar uma apostila de concurso e adoçante.
hoje sonhei com minha mãe
isso me lembrou que prazer demais é pecado.
alias, peguei mais 30 reais.
quero um livro que desminta mamãe.
não ficou nada na meia, tá?
deixei dois cigarros no braço do sofá
se vira com eles até eu chegar
devo demorar um pouco
vou passar na academia
pedir nosso dinheiro de volta
vou voltar com
conhaque
cigarro
duas revistas
dois dvd pirata
e gelatina
te amo
vai ficar tudo bem
 
du

março 4, 2009
weezer - el scorcho

weezer - el scorcho

peguei no blog da punk. lá tem mais musiquinhas em versão gráfica. adorei isso.


arsenal

fevereiro 26, 2009

nesses tempos de esperas e angústias eu me cerco das coisas cujos significados eu mesmo criei para ficar feliz. um cesto de revistas, uns papéis velhos para transformar em caixinhas, vozes bonitas nas músicas, o sofá laranja com minha mãe sentada nele, queijo na geladeira e café na rua. ando esperando demais. ando querendo deletar velhos textos, mas não consigo. ando querendo fazer um curso de artesanato. ando sonhando com sergipe. ando desejando que a folia acabe porque preciso varrer de dentro do meu quarto uns confetes velhos e pisoteados. 


fevereiro 14, 2009

os mais letrados não chegariam a achar bonito o que eu escrevo. sinceramente, não me importo. sinceramente também, preferiria não ter que escrever porque esta tarefa não é nada fácil. a dificuldade não está em escolher palavras para dar liga a frases. o que me é difícil é conviver com cada sensação antes de ela ser transformada em palavra, é me ver em cada parágrafo. não é uma escolha, é uma necessidade. escrevo porque às vezes me falta o apoio dos que me são condescendentes e porque, estando dentro de mim, os sentimentos são ininteligíveis. escrevo para não precisar morrer engasgado.


que belo estranho dia pra se ter alegria

fevereiro 11, 2009

bebeu um daqueles refrigerantes gelados e intragáveis que só se bebe em boates. não há sede nenhuma, mas bebe-se. não podia beber álcool porque naquela noite iria precisar de todos os cinco sentidos intactos para enfrentar a noite mais angustiante da segunda semana de fevereiro. angustiante de forma dúbia porque tocava-se samba no local. pessoas sambavam freneticamente e ele sambava (?) pausadamente, como se quisesse com os movimentos dos pés entender o que estava se passando. para entender o quão profundas eram as sensações. tentava não falar coisas tão estúpidas; sua voz ficou ininteligível em meio ao caos sonoro e sua roupa nova passou impercebida. foi atraído para lá pelo homem que tem a chave de todos os sorrisos e de todos os arrepios. via singeleza nuns movimentos, vulgaridade em outros. sentia antigos sentimentos de encantamento. isso lhe dava inquietudes. então, sambava mais um pouquinho, fumava um cigarro e olhava pra gordinha ao lado. queria ser surpreendido, ouvir a coisa mais improvável da década: vamu ficar junto de novo? não ouviu, não falou, manteve-se impassivo, representou. ensaiou uma lagrima; o show acabou, parou de sambar, limpou o suor da testa, recusou um convite piedoso, voltou pra casa da amiga, comeu sanduíches improvisados, ouviu palavras condescendentes, adormeceu. a noite mais angustiante da segunda semana de fevereiro havia acabado.


Coadjuvantes graças a Deus

fevereiro 7, 2009

Como sempre amei o pessoal do elenco de apoio, fiz uma listinha pra eles. Menos bonitos, menos ricos, menos famosos e quase sempre muito talentosos, gosto mais deles do que das estrelas das séries. Os 5 melhores pra mim são:

 

 

Karen Walker 

Will and Grace é uma das séries de comédia que mais gostei até hoje, mas nunca vi muita graça nos personagens que dão título ao sitcom. Ok, eles são engraçados também, mas a socialite alcoólatra e insensível vivida por Megan Mullally é perfeita. Movida a novidades farmacêuticas e roupas de grife, tem um humor irônico que eu adoro. O primeiro lugar é dela. 

 

call me anastasia beaverhausen

call me anastasia beaverhausen

 

Olive Snook

Eu sei que é difícil tirar os olhos do pie maker de Pushing Daisies, mas a mal amada da série tem me chamado muita atenção, sobretudo nessa segunda temporada. Além de sua personagem pagar micos como ser uma freirinha fashion e aprendiz de detetive de Emerson Cod, ela canta! Outro diz quase chorei vendo a naniquinha entoando a açucarada Eternal Flame, do Atomic Kitten. Mas também ne… Kristin Chenoweth tem mestrado em opera e já deu pinta na Broadway. Vida injusta pra ela: Segundo lugar no coração do doce Ned e segundo lugar aqui também.  

chuck é o caralho, tô arrasano

chuck é o caralho, tô arrasano

Brenda Chenowith

Pra neguim não falar que eu só assisto comédias, vamo logo pra um dramão? Dramão mesmo porque quase morri de chorar na última temporada de Six Feet Under. Minhas lágrimas não vieram apenas por causa da vida cão do clã dos Fisher, mas também ao ver a complexa e densa família Chenowith, da qual Brenda, vivida por Rachel Griffiths, faz parte. Apesar de ser biscate de marca maior, a moça vive uma história de amor intensa com Dave e vai mostrando toda a herança psicológica de sua família em frangalhos. Terceirão pra Australiana.  

o pai de rachel largou a familia pra viver com uma biscate de 18 anos

vida dura fora da série também: o pai de rachel largou a família pra viver com uma biscate de 18 anos

 

Barb

Julia Louis-Dreyfus, a Elaine do eterno Seinfeld, achou que a salvação para sua carreira viria ao protagonizar The New Adventures of Old Christine. Não rolou; primeiro porque a série infelizmente não emplacou, segundo porque a atriz Wanda Sykes, a Barb, roubou a cena. Sócia de Christine na academia que elas tentam administrar juntas, ela vive alfinetando e julgando as atitudes nada ortodoxas da amiga. Quase morri de rir no dia que Barb estraga ainda mais a música Time After The Time. Quarto lugar pra Wanda.  

“it ain’t like you never seen a black lesbian before”

“it ain’t like you never seen a black lesbian before”

Mark Indelicato

Pegando carona no sucesso de America Ferrara na novela colombiana transformada em série pelas mãos mexicanas de Salma Hayek, Mark Indelicato é Justin Suarez, sobrinho da protagonista e mini-bee de Ugly Betty. Com 13 aninhos, ele pode gostar o quanto quiser de moda e maquiagem porque sua família está preocupada demais com problemas típicos da vida dos latinos nos Estados Unidos para perder tempo pensando nele. Quinto pro Mark.

oi prima

oi prima