março 17, 2009

das coisas que restaram, ficou a saudade daquele impulso que tinha para escrever em terceira pessoa. de se esconder por detrás do abrigo seguro dos ele, se, lhe, o, si, consigo. faltava-lhe agora a criatividade para escrever sempre a mesma coisa e sobrava-lhe a dor que antes era aliviada com os tópicos frasais. estando todo compacto, e não mais esfarelado, não sabia bem como se equilibrar e manter-se de pé. só conseguia dar dois passos adiante sem tropeçar pelas ruas porque via como era muito mais fácil prover do que esperar ser provido. fazia todos os carinhos que gostaria de receber e sentia-se forte e indispensável. tendo descoberto novas formas de existência, queria abandonar cada lugar de subserviência que antes ocupava. queria tomar mais cuidado com o que escrevia porque começou a se sentir observado. docemente observado, eu confessaria.